comunicação


Jimmy Hernandez Marcelo

Universidad de Salamanca

Professor

Eixo:Desconstrução e pensamento metafísico

Los límites de la Fenomenología y el nacimiento de la Deconstrucción


En 1963 el joven Jacques Derrida, como profesor asistente en la Sorbona, imparte dos cursos sobre Husserl. En ellos vemos a Derrida confrontarse directamente con dos problemas fundamentales de la fenomenología —Dios y el otro— que terminarán desempeñando un rol decisivo en toda su obra posterior. Leídos hoy, estos textos ya no aparecen simplemente como documentos históricos o preparatorios, sino como testimonios filosóficos de un momento de transición decisivo: aquel en que la fenomenología comienza a descubrir, en el interior de sus propios conceptos, la imposibilidad de una presencia originaria y plena, y la necesidad de pensar el sentido desde la alteridad, la huella y la diferencia.


Palavras-chave:

PARECER: Carta de Aceite enviada

Paulo Sérgio Alves de Souza filho

Universidade Federal de Pernambuco

Mestrando

Eixo:Desconstrução, Estética e Literatura

Uma leitura de Nietzsche a partir de Derrida:
uma questão de estilo diante do falocentrismo


A presente pesquisa busca analisar como Derrida, em Esporas, revisita Nietzsche a fim de problematizar o conceito de verdade e propor uma leitura desconstrutora da tradição filosófica ocidental. Partimos da hipótese de que Derrida encontra em Nietzsche uma concepção de verdade que não se deixa reduzir à essência, à presença fixa ou à posse conceitual. A verdade aparece, antes, como estilo, metáfora, différance e deslocamento. A figura da mulher, nesse contexto, não corresponde a uma figura empírica ou a uma identidade de gênero, mas opera como significante desconstrutor que desestabiliza o falocentrismo e rompe com os binarismos-ou-ou- que sustentam a metafísica ocidental. Nesse sentido, a noção de “devir-mulher” permite pensar o entrelaçamento entre linguagem, verdade e diferença. Para Derrida, a verdade pensada a partir de Nietzsche não se apresenta como presença estável, mas como movimento, jogo interpretativo, metáfora e estilo. Assim, o devir-mulher funciona como metáfora desconstrutora, rompendo com a lógica binária que organiza a tradição filosófica: homem/mulher, racional/empírico, verdadeiro/falso. Derrida retoma, portanto, a crítica nietzschiana à busca da verdade como posse e a associa ao falogocentrismo, isto é, ao privilégio da razão, da presença e do masculino como centros irradiadores de sentido. Por isso, o papel da feminilidade nesse jogo conceitual não deve ser entendido como referência direta à mulher enquanto sujeito empírico, mas como figura, estilo e significante que permite repensar a própria estrutura da verdade. Derrida insere o termo mulher no campo da différance: rastro, adiamento de sentido e condição de possibilidade para novas significações. Ao desconstruir o binarismo, Derrida aproxima-se do gesto filosófico de Nietzsche, pois desloca a verdade de seu lugar tradicional e a compreende não como fundamento imóvel, mas como jogo de forças, interpretações e diferenças. A mulher, nesse sentido, aparece como figura de deslocamento e resistência à apropriação conceitual. Ela não representa uma essência feminina, mas uma força de desestabilização dos conceitos falocêntricos que estruturam a metafísica. Como analisamos, a verdade, sendo pensada como feminina, é múltipla, dissimulada, sedutora e não apropriável, tal como Nietzsche a apresenta em sua crítica ao pensamento tradicional. Desse modo, Derrida não busca resolver a questão da verdade por meio de uma nova definição fixa, mas mostrar que toda verdade está atravessada por linguagem, estilo, interpretação e diferença.Conclui-se que a leitura derridiana de Nietzsche aponta para a necessidade de superar o pensamento dicotômico, instaurando um modo de filosofar que reconhece as margens, os silêncios e os restos do discurso. Ao propor a mulher como estilo e a verdade como feminina, Derrida inaugura uma reflexão que, mais do que resolver a questão da diferença, busca afirmá-la como condição constitutiva do pensamento da Différance.


Palavras-chave:

PARECER: Título corrigido. Carta de Aceite enviada.

Sakura Maria Henriques Sousa

Universidade Federal de Pernambuco

Mestranda

Eixo:Política e Direito na contemporaneidade

O problema da leitura derridiana sobre a questão da mulher no pensamento de Nietzsche


O objetivo deste trabalho consiste em investigar a influência exercida pela interpretação derridiana das colocações de Friedrich Nietzsche sobre a mulher na recepção posterior da obra do filósofo alemão. Para tanto, pretendemos analisar as passagens do corpus nietzscheano em que o autor reflete sobre o feminino e a emancipação da mulher, privilegiando aquelas referenciadas por Derrida, a fim de compreender sua posição acerca do tema. Em seguida, buscaremos examinar a leitura desconstrutivista elaborada por Jacques Derrida em Esporas: os estilos de Nietzsche e sua influência sobre parte da recepção contemporânea da filosofia nietzscheana. A partir dessa análise, questionaremos as repercussões dessa interpretação na compreensão do pensamento de Nietzsche sobre a mulher. A investigação será fundamentada em uma leitura exegética da bibliografia selecionada, conduzida com base nos métodos estrutural e hermenêutico. Por fim, concluiremos que a recepção influenciada por Derrida contribuiu para uma compreensão desvirtuada da posição nietzscheana. Para parte dos intérpretes influenciados pelo autor francês, as críticas de Nietzsche visam alertar as mulheres para aspectos que poderiam comprometer a retórica do movimento emancipatório. Sustentamos, no entanto, que o filósofo compreende esse movimento como expressão do racionalismo moderno por ele criticado, por reivindicar um nivelamento entre homens e mulheres incompatível com a concepção hierárquica que permeia sua filosofia.


Palavras-chave:

PARECER: Carta de Aceite enviada.

Itallo Vinicius Andrade Menezes

Universidade Federal de Pernambuco

Mestrando

Eixo:Desconstrução e pensamento metafísico

Da Fenomenologia à Desconstrução: Derrida em Diálogo com Husserl


A relação entre Edmund Husserl e Jacques Derrida revela um percurso filosófico marcado pela tensão entre a busca pela verdade e a desconstrução dos seus fundamentos. Husserl, ao fundar a fenomenologia, propôs um método rigoroso de retorno “às coisas mesmas”, buscando apreender a essência dos fenômenos na consciência. Derrida, por sua vez, encontra na fenomenologia um ponto de partida para questionar os limites dessa pretensão de transparência e presença absoluta. Em sua leitura da “Origem da Geometria” de Husserl, Derrida destaca a importância da escrita como condição de possibilidade da transmissão do saber, mostrando que a verdade não se dá como presença plena, mas sempre mediada por traços, inscrições e diferenças. Assim, a fenomenologia, que pretendia garantir acesso direto às essências, é reinterpretada por Derrida como um campo em que a verdade se mostra sempre diferida, nunca totalmente presente. O diálogo entre Husserl e Derrida não é de ruptura simples, mas de continuidade crítica: Derrida reconhece a força da fenomenologia como projeto de fundamentação, ao mesmo tempo em que evidencia suas aporias. A busca pela verdade, em Derrida, não se encerra na desconstrução, mas se abre para uma reflexão sobre a impossibilidade de um fundamento último, deslocando a fenomenologia para um horizonte em que a verdade é sempre provisória, marcada pela alteridade e pela diferença. Essa relação ilumina o modo como Derrida transforma a herança fenomenológica em um exercício filosófico que, longe de negar a verdade, a reinscreve em um movimento incessante de questionamento e abertura.


Palavras-chave:

PARECER: Avaliação Aceito (Manoel Uchoa)

Felipe de Araujo Torres

Universidade Federal de Pernambuco

Mestrando

Eixo:Desconstrução, Estética e Literatura

A estranha instituição da literatura latino-americana: recordar, repetir, revelar entre a desconstrução e a colonização


O presente artigo é desdobramento de pesquisa em andamento que tem como principal foco a obra de Graciliano Ramos e sua capacidade de oferecer sentido sobre realidades sociais brasileiras. Em exercício de leitura comparada com a obra de Juan Rulfo, pôde-se observar a utilização de certos recursos estilísticos comuns para afirmar conflitos éticos semelhantes. Emerge daí a possibilidade de definir um pouco melhor a fugidia noção de literatura latino-americana. Nosso objetivo, portanto, está em contribuir para o debate envolvendo a definição da literatura latino-americana a partir da noção derridiana de literatura enquanto instituição sem instituição, configurada pela capacidade de dizer tudo. O problema em questão está na necessidade de a literatura latino-americana repetir aspectos da literatura europeia para se constituir enquanto literatura. Desta maneira, questiona-se, como pode a repetição da expressão cultural dos colonizadores servir à expressão da singularidade da cultura dos colonizados? Para tanto, recorre-se à revisão narrativa de literatura para selecionar textos de Jacques Derrida e intérpretes brasileiros de seu pensamento, como Evando Nascimento e Silviano Santiago. A partir desses autores demonstra-se que, quando se considera a linguagem em seus aspectos performativos, nem todo gesto de repetição implica em submissão. A tensão entre repetir e criar ou repetir e revelar possibilita enxergar determinadas modalidades de repetição criadora. Afinal, a repetição literária é sempre mais interessante do que repetir e a assimilação ativa da cultura europeia pode levar à sua desorganização e não à sua reprodução. Assim, a relação entre realidade e literatura latino-americanas não é mediada por representações diretas, mas por deformações. Como consequência, critérios como o da verossimilhança não se prestam à definição da singularidade de obras literárias latino-americanas. Em resposta, afirma-se que a “disseminação” pode servir de critério no lugar da verossimilhança, na medida em que incorpora a necessidade histórica de deformação definidora da literatura latino-americana.


Palavras-chave:

PARECER: Avaliação Aceito (Manoel Uchoa)

Livya Beatriz Rendall Ferreira

Universidade Católica de Pernambuco

Graduanda

Eixo:Política e Direito na contemporaneidade

A opinião consultiva da Corte Interamericana como instrumento de proteção e hermenêutica dos direitos humanos


O presente estudo analisa a função das Opiniões Consultivas da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) na interpretação da Convenção Americana sobre Direitos Humanos e no fortalecimento da proteção internacional dos direitos humanos, estabelecendo um diálogo teórico-filosófico com o pensamento de Jacques Derrida. Parte-se da premissa de que a atuação da Corte transcende sua competência contenciosa, exercendo relevante função consultiva ao orientar os Estados na harmonização de seus ordenamentos jurídicos com os parâmetros convencionais de proteção dos direitos humanos. O objetivo da pesquisa consiste em compreender o instituto da Opinião Consultiva sob uma perspectiva hermenêutica e desconstrutiva, problematizando o formalismo jurídico e a pretensão de fechamento do Direito à luz da filosofia de Jacques Derrida. Nessa perspectiva, a atuação consultiva da Corte IDH revela uma compreensão do Direito aberta à alteridade, na medida em que a Justiça, concebida como experiência do incalculável, exige responsabilidade permanente perante o Outro. Para tanto, adotou-se metodologia qualitativa, de caráter exploratório, fundamentada na Análise Textual Discursiva (ATD), aplicada ao exame de pareceres consultivos e documentos normativos do Sistema Interamericano de Direitos Humanos. Os resultados evidenciam que as Opiniões Consultivas possuem elevada densidade normativa e significativa eficácia orientadora, atuando como mecanismos preventivos capazes de fomentar a adequação dos ordenamentos internos aos compromissos internacionais e ampliar os espaços de interpretação dos direitos humanos. Verificou-se, ainda, que a função consultiva favorece uma abertura hermenêutica permanente, contribuindo para a consolidação institucional da Corte IDH, o fortalecimento do controle de convencionalidade e a construção de um diálogo interjurisdicional comprometido com a efetividade dos direitos humanos. Conclui-se que as Opiniões Consultivas funcionam como mecanismos de permanente renovação hermenêutica. Ao impedirem o engessamento dogmático do Direito, esses pareceres alinham-se à concepção derridiana de Justiça ao manterem o ordenamento jurídico dinâmico e responsivo às novas demandas de proteção humana.


Palavras-chave:

PARECER: Avaliação Aceito (Manoel Uchoa)

Obs: O resumo foi apresentado fora da formatação. Assim, corrigi para um parágrafo único.